vencedores - 2016

Publicado: quinta-feira, 20 de outubro de 2016

APAE DE SÃO PAULO – Defendendo Direitos e Enfrentando a Violência – Campanha contra os maus-tratos


Histórico/Antecedentes/Circunstâncias


Nas décadas de 50 e 60 a sociedade brasileira e as próprias famílias que possuíam pessoas com Deficiência Intelectual incumbiam-se de oculta-las por vergonha, medo e, muitas vezes, ignorância.
Era preciso romper com este ciclo de desconhecimento e de falta de perspectivas. Sendo assim, na cidade de São Paulo, o paulistano Olímpio Moreira Estrázulas e sua esposa, Alda, uniram-se a outros casais que também tinham filhos com Síndrome de Down, como o Dr. Antonio dos Santos Clemente Filho e Jô Clemente a fim de atuar sobre este cenário. Eram pessoas que partilhavam as mesmas dúvidas e angústias e sabiam que era preciso fazer imediatamente alguma coisa. Mas fazer exatamente o quê? Como educar e dar ensino a uma criança com Deficiência Intelectual? Onde buscar conhecimento sobre o tema? Como tratá-la clínica e cientificamente? E, o mais importante, como fazer com que ela fosse aceita e se inserisse o mais plenamente possível na sociedade?
Assim nasceu a APAE DE SÃO PAULO, em 1961, com a missão de promover a prevenção e a inclusão da pessoa com Deficiência Intelectual produzindo e difundindo conhecimento, desde o diagnóstico no nascimento, por meio do Teste do Pezinho, até o envelhecimento, propiciando o desenvolvimento de suas habilidades e potencialidades que favoreçam a escolaridade, a empregabilidade, a inclusão social e a defesa dos seus direitos. Desde sua fundação, a APAE DE SÃO PAULO é uma Organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que vem acompanhando os processos sociais vivenciados pela população com Deficiência Intelectual, buscando atender às suas demandas diretas tanto quanto influenciar programas públicos de assistência e reformas políticas no
campo dos direitos humanos, apoiando-se em diretrizes atuais como as propostas, por exemplo, na Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU - 2006) e no Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH II (2002), Plano Viver Sem Limites (2011) e Relatório Mundial sobre a Deficiência (2012). A APAE DE SÃO PAULO assumiu o compromisso de oferecer um atendimento de alta qualidade e a esperança de um futuro melhor para muitos. Os esforços foram concretizados e, hoje, mesmo dependendo fortemente da doação de pessoas físicas e jurídicas, complementado com o auxílio do Governo (SUS) e outros recursos parlamentares, a Organização é a grande referência na Deficiência Intelectual do País.
E, para atender seu público com cada vez mais qualidade e proporcionar menos deslocamento para as famílias, a Organização possui três unidades (Vila Clementino, Itaim e Interlagos) e dez núcleos descentralizados (regiões norte, leste e sul).


Problema/Desafio/Oportunidade


Os dados quantitativos indicam que dentre todas as deficiências, a intelectual é a que mais atinge a nossa população de acordo a OMS (2006)1. Estima-se que cerca de 10% dos habitantes do país tenham algum tipo de deficiência, das quais: 5% representam a parcela de pessoas com deficiência intelectual; 2% de deficiência física; 1,5% de deficiência auditiva; 0,5% de deficiência visual; e 1% de deficiência múltipla. Dos diversos problemas enfrentados pelas pessoas com deficiência, especialmente crianças e adolescentes, os mais problemáticos são a violação e/ou não acesso aos seus direitos fundamentais. As pessoas com deficiência, de acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde e do Banco Mundial (2012), apresentam as piores condições no que tange o acesso aos direitos fundamentais como saúde, emprego, moradia, transporte e educação. Além disso, possui uma participação econômica menor, taxas de pobreza e vulnerabilidade social maiores do que comparado às pessoas sem deficiência. Isso reflete as enormes barreiras encontradas por este segmento da população no acesso aos serviços sendo excluídas dos direitos garantidos em nosso país.
Com isto as pessoas com deficiência estão em condições mais suscetíveis à violência direta e/ou a violação de seus direitos - estando as com Deficiência Intelectual em um grupo de maior fragilidade devido problemáticas comuns no âmbito da elaboração de vivências e sua comunicação. Muitos casos de violência contra pessoas com Deficiência Intelectual não são relatados pela própria vítima, que por vezes não compreende a própria violação ou, se o faz subjetivamente, nem sempre consegue expressá-la de modo distinto e claro a um familiar ou responsável. Diante desta realidade, crianças e adolescentes com deficiência acabam vivenciando diferentes formas de exclusão e são afetadas por elas em níveis diversos, dependendo de fatores como o tipo de deficiência, o local onde moram e a cultura ou a classe social a que pertencem. A experiência compartilhada de serem crianças definidas e julgadas pelo que lhes falta, e não pelos atributos que lhes dispõem, as estigmatiza como inferiores, o que as expõe a maior vulnerabilidade: a discriminação baseada em deficiência manifesta-se em marginalização na alocação de recursos e em tomadas de decisão levando-as à invisibilidade e consequentemente a inúmeras violações de direitos. Ou seja, crianças e adolescentes com deficiência têm probabilidade três ou quatro vezes mais alta de serem vítimas de violência. Compreender a extensão da violência contra crianças com deficiência é um primeiro passo essencial para o desenvolvimento de programas eficazes para evitar que se tornem vítimas de violência e para melhorar sua saúde e sua qualidade de vida. Com esse objetivo, equipes de pesquisa da Universidade de Liverpool e da Organização Mundial de Saúde realizaram a primeira revisão sistemática de estudos existentes sobre violência contra crianças com deficiência. As estimativas sobre prevalência de violência contra crianças com deficiência variaram de 26,7%%, para medidas combinadas de violência, a 20,4%, para violência física, e 13,7% para violência sexual. Estimativas de risco indicaram que crianças com deficiência estavam expostas a risco significativamente maior de sofrer violência do que seus pares sem deficiência: 3,7 vezes maior para medidas combinadas de violência; 3,6 vezes maior para violência física e 2,9 vezes maior para violência sexual. Os desafios consistem em criar, desenvolver e executar uma campanha de marketing e comunicação sensibilizadora com o intuito de promover a garantia dos Direitos Humanos de crianças e adolescentes com deficiência intelectual em situações de vulnerabilidade pessoal e social, rompendo com as desigualdades instauradas na sociedade; encontrar uma agência parceira que criasse uma campanha de alcance nacional, de fácil compreensão e que atingisse o objetivo de conscientizar a população a não fechar os olhos para os maus-tratos; sensibilizar o público a se engajar com a causa defendida pela APAE DE SÃO PAULO; com a campanha, posicionar a APAE DE SÃO PAULO como referência no atendimento das pessoas com Deficiência Intelectual em situação de vulnerabilidade; conseguir verba para execução do projeto.
Diante do vasto cenário no qual as crianças e adolescentes com Deficiência Intelectual estão inseridos e levando em consideração que na cidade de São Paulo estimam-se haver cerca de 140 mil crianças e jovens com deficiência intelectual até 24 anos, nota-se visivelmente a grande necessidade de efetivação da proteção integral desse público. Pensando nisso, a APAE DE SÃO PAULO desenvolveu um projeto chamado ‘Defendendo Direitos e Enfrentando a Violência’ com duas ramificações: a primeira seria criar uma campanha para conscientizar a população sobre a questão da negligência e violação de direitos das pessoas com Deficiência Intelectual (tema desta inscrição); a segunda visa oferecer atendimento jurídico psicossocial e intervenções que assegurem uma melhoria no desenvolvimento humano de crianças e adolescentes com deficiência intelectual. De modo geral, garantir os Direitos Humanos de crianças e adolescentes com Deficiência Intelectual em situações de vulnerabilidade pessoal e social, rompendo com as desigualdades instauradas na sociedade.


Público a ser atingido


A sociedade em geral, principalmente as pessoas que já são capazes de identificar uma violação de direitos e de denunciar ou encaminhar o caso aos órgãos competentes.


Plano


Com o objetivo principal de conscientizar a população sobre os direitos das pessoas com Deficiência Intelectual e atingir a população em geral, o plano foi divulgar a campanha com prioridade em veículos e meios com grande penetração junto às pessoas.
Com relação às revistas, foram escolhidas Ana Maria, Sou + Eu e Reação por suas atuações nacionais. O plano foi divulgar páginas simples e duplas de janeiro de 2015 a julho de 2016.
Sobre os jornais, os escolhidos foram Agora São Paulo e Diário de S.Paulo, com divulgações de meia página, com ativação em fevereiro e março de 2015.
Para complementar a divulgação, as sancas do metrô foram escolhidas como mais uma forma de conversar com a população, já que o metrô possui grande concentração de pessoas, em deslocamento diário e com espera forçada. A peça da campanha ficou em divulgação durante o mês de fevereiro de 2015.


Execução e Ativação


O planejamento e execução do plano estratégico para lançamento da campanha começaram em 2014. As peças começaram a serem criadas, aprovadas e preparadas para divulgação. O conceito da campanha começou pela definição de ‘punição’. Quando se trata de educar sobre o que são maus-tratos contra a pessoa com Deficiência Intelectual e também denunciar, é importante mostrar que a atitude terá resultado. Focamos no identificar e denunciar. Além disso, não deixar que a violência contra a pessoa com Deficiência Intelectual se torne paisagem, algo normal em nosso dia a dia. Com base neste conceito, a campanha foi estruturada.
A estratégia foi divulgar em veículos com grande penetração junto à população, que possuam boa abordagem, segmentação e credibilidade. Além disso, divulgar em canais outdoor que tivessem grande concentração de pessoas, espera forçada e frequentada por público das classes B e C.
Em resumo, a ação contou com anúncios divulgados nas revistas Ana Maria, Sou + Eu, Reação, Minha Novela e Viva!mais; nos jornais Agora SP e Diário de S.Paulo. Além disso, foram colocados anúncios nas sancas do Metrô nas linhas vermelha, azul e verde.
Como parte de uma comunicação integrada, a campanha também foi divulgada nos canais internos da Organização, para funcionários, voluntários e pessoas com Deficiência Intelectual e seus familiares; e nas redes sociais da APAE DE SÃO PAULO, gerando engajamento de todo o público envolvido.


Resultados


A campanha apresentou excelentes resultados, rendendo uma exposição na mídia equivalente a R$ 168.248,00, auditados pelo Ibope. Com relação às redes sociais, por ser uma campanha totalmente orgânica, devido à falta de verba, apresentou ótimo desempenho.
No Facebook, em 2015, foram realizados três posts que geraram 514 likes, 154 compartilhamentos e alcançaram mais de 10 mil pessoas. No Twitter, as divulgações alcançaram quase 2 mil pessoas.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo de 2011 a 2014, houve 8000 ocorrências e só no ano de 2015, 15.068 ocorrências. Os dados validam o conceito da campanha que começou pela definição de “punição”. Quando se trata de educar sobre o que são os maus-tratos contra a pessoa com Deficiência Intelectual e também denunciar, é importante mostrar que a atitude é importante.




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